A contribuição passada, presente e futura do sistema ERP

A ferramenta de sustentação e de evolução dos negócios

Introdução

Ao longo da história o mundo dos negócios contou com inúmeras ferramentas de apoio e suporte para potencializar resultados. Uma dessas ferramentas é o sistema ERP, também conhecido como sistema de gestão empresarial.

Algumas ferramentas foram sendo substituídas ou deixadas de lado no decorrer do tempo por terem perdido a eficácia, terem se tornado obsoletas ou simplesmente por que estavam atreladas a algum modismo passageiro numa determinada época.

O sistema ERP, desde o seu surgimento, mostrou-se ser uma ferramenta robusta e altamente eficaz para dar aos negócios maior eficiência, sustentar o crescimento das organizações, racionalizar tarefas e reduzir tempo de ciclos dos processos de gestão.

É preciso reconhecer o esforço feito pelos fabricantes e desenvolvedores do sistema ERP para dotá-lo de funcionalidades e capacidade de responder efetivamente aos requisitos e desafios apresentados pelos drivers e impulsionadores dos negócios ao longo tempo. A evolução de metodologias de gestão promovida pela área acadêmica trazia novas exigências e apontava novos meios de promover a melhoria dos negócios que, quase sempre, acabavam por serem incorporadas como funcionalidade dentro do sistema ERP. Ao longo do tempo, o uso massivo dessas metodologias pelas organizações levou ao que comumente se denomina de melhores práticas de gestão, as quais foram incorporadas ao sistema ERP.

O que é o sistema ERP? É um sistema que realiza transações e suporta todos os processos organizacionais garantindo agilidade e aderências às regras de negócios e políticas adotadas pela organização. Cobre, portanto, a cadeia de valor do negócio desde o relacionamento com os fornecedores, os ciclos de venda e de produção, até a entrega final ao consumidor do produto ou serviço, atendendo os requisitos de conformidade legal e fiscal. Em especial no Brasil, o ERP atende também o SPED – Sistema Público de Escrituração Fiscal em suas várias obrigações facilitando sobremaneira a verificação da conformidade – compliance – das transações e seus resultados. Entre outros, vale aqui ressaltar, a adoção da nota fiscal eletrônica como um grande case de sucesso.

Basicamente o sistema ERP é formado por um banco de dados, um conjunto de aplicações e regras de negócio e uma interface com o usuário. As aplicações podem ser agrupadas em módulos, como por exemplo compras, vendas, produção, estoque, financeiro, contabilidade.

Por sua arquitetura modular, e esses módulos estarem integrados, é comum denominar o ERP como um sistema integrado de gestão, ou algo nessa linha. Vale ressaltar que, considerando que a estrutura de dados tenha sido construída a partir de um projeto único de banco de dados – atendendo as técnicas e regras de modelagem dos dados – pode-se chamar o ERP como um sistema integrado, mas sim como um sistema único, pois é o todo formando uma ferramenta única.

Com a evolução da tecnologia de comunicação e a disponibilidade de infraestrutura capaz de atender os negócios, a internet, o sistema ERP passou a integrar unidades de negócio geograficamente distantes, possibilitando por exemplo que fornecedores tenham acesso em tempo real às informações de estoque dos seus clientes, que organizações mundiais tenham o sistema ERP fazendo a gestão da matriz e de suas subsidiárias em qualquer parte do mundo dentro de uma plataforma única.

Mais recentemente, com o advento da mobilidade, transações são feitas atualmente através de dispositivos móveis – smartfones -, conferindo um novo patamar de agilidade e conveniência aos seus usuários.

E a inovação não para, além de se apresentar cada vez mais rapidamente. O avanço da inteligência artificial – AI -, a internet das coisas – IoT -, nuvem, a transformação digital dos negócios.

Como fica o ERP e o que será do seu futuro, face às inovações atuais e as que ainda vem por aí.

A exemplo do que ocorreu ao longo dos últimos 50 anos, e mais intensamente nas duas últimas décadas, pode-se afirmar que o sistema ERP irá ser ainda a ferramenta de sustentação e de evolução dos negócios, sendo o “porto seguro” como plataforma para garantir integridade, robustez, disponibilidade e geração de informações e indicadores de gestão para dar suporte aos processos operacionais e de gestão no mundo dos negócios.

A Evolução dos Sistemas

No final da década de 50 surgiam conceitos mais modernos, para a época é claro, de controle tecnológico e administração corporativa. O controle dos estoques era o driver do negócio e a tecnologia disponível eram grandes e caros computadores chamados mainframes, que se firmaram como protagonistas e responsáveis pelo processamento das transações até a década de 80 quando surgiu o movimento de downsing, as redes de computadores ligados a um computador maior e iniciou-se o uso da arquitetura cliente servidor, introduzindo máquinas menores e mais acessíveis economicamente.

Os sistemas então eram voltados ao controle dos materiais, estoques, dado o volume de recursos envolvidos. Era preciso ter estoque para produzir e para vender. Foi o marco do acoplamento da gestão e tecnologia. A automação das atividades era lenta e cara, mas reduziam o tempo de execução.

Na década de 70, o conceito foi ampliado e surge então o MRP – Material Requirement Planning ou Planejamento das necessidades de materiais. Grandes investimentos foram feitos e produziram bons resultados, principalmente para as maiores empresas. Foi então introduzido o conceito e metodologia de explosão de materiais, resultando na decomposição de um produto nos seus componentes. Cada componente podia ser produzido ou comprado. A informação desse processo era então a base para o departamento de compras realizar sua tarefa de adquirir matérias primas e insumos necessários. No recebimento do material, a nota fiscal ou documento equivalente podia então alimentar as contas a pagar e assim o conjunto de sistemas se integravam dando maior velocidade e precisão na execução das tarefas rotineiras.

Nos anos de 1980 surgiu o MRP II – Manufacturing Resources Planning ou Planejamento dos Recursos da Manufatura, expandindo os controles para processos de controle de mão de obra e de máquinas e equipamentos. Com a ampliação da abrangência de gerenciamento dos processos o MRP II já se caracterizava como um sistema ERP – Enterprise Resources Planning ou Planejamento dos Recursos da Empresa -. Não se sabe precisar exatamente o momento em que surgiu o ERP.

Os direcionadores mais importantes dessa época foram o plano mestre de produção e os recursos críticos de produção.

Chega a década de 90 com um cenário de tecnologia economicamente mais viável e com mais facilidades de uso.

A abrangência e drivers alcançam a empresa, os parceiros comerciais, tecnologia, produtos e valor agregado. O ERP está em cena e a evolução se acentua.

Em 2000 vem a segunda onda onde o conceito passa a ser a empresa estendida, e-commerce – comercio eletrônico -, suply chain – cadeia de suprimentos – CRM – Customer Relationship Management – e também e-CRM.

De lá até os dias de atuais a evolução é constante e facilitada pelas inovações da tecnologia e também pelo ambiente de altíssima competitividade que vivenciamos.

O ERP é então levado para a nuvem e passa a ser utilizado como serviço, reduzindo os investimentos em infraestrutura e eliminando processos de administração dentro das empresas. Ganhos de produtividade com redução de custos, o melhor dos mundos até aqui.

Mais inovações e transformações conectam o sistema ERP com a inteligência artificial e com a internet das coisas.

O mundo digital faz com que negócios também passem a ser digitais e o que é chamado de transformação digital das empresas é o estágio atual.

Resumo

O ERP serviu, serve e continuará a servir para dar sustentação, melhorar e evoluir os negócios com garantia de segurança, robustez, agilidade e abrangência.

O uso do ERP, como foi no passado, ajuda as empresas a manter sua competitividade no mercado em que atuam.

A evolução dos sistemas, como o ERP, se confunde com a evolução da gestão no mundo, podendo ser sumarizada da seguinte sequência:

  • Inicia-se com a inspeção dos produtos e vai para;
  • O controle dos processos de produção dos produtos;
  • Da organização que administra os processos de produção dos produtos;
  • Das pessoas que compõem a organização que administra os processos…;
  • Do ambiente social que favorece a ação das pessoas que compõem as organizações…;
  • Do meio ambiente que interfere no ambiente social que favorece….

Quanto aos benefícios de se contar com um bom sistema ERP, pode-se considerar:

  1. Suportar a inovação e evolução dos negócios;
  2. Agilizar a percepção, decisão e aferição dos resultados;
  3. Potencializar a pró-atividade dos agentes presentes nos negócios;
  4. A simplificação e padronização dos processos;
  5. A melhoria da produtividade e competitividade;
  6. Potencializar o relacionamento com o cliente, promovendo mais receita e maior lucro.

Em síntese reduzir os riscos e aumentar os resultados!

By Celso Furlan

Agosto, 2018.